 |
|
Exame preventivo para detecção de câncer de próstata. |
Biopsia da Próstata. |
|
 |
O que é
O câncer de próstata, assim como os demais tipos de câncer, representa a multiplicação desordenada das células. Normalmente, as células que compõem o nosso organismo se renovam de acordo com padrões de substituição próprios num ritmo de reposição lento e equilibrado. Quando estas células, inclusive as da próstata, perdem a capacidade de se relacionar com as suas vizinhas e começam a se multiplicar desordenadamente pode-se dizer que ali começa o câncer.
Sintomas
Até meados da década de 80, o câncer de próstata era diagnosticado em 80% das vezes quando estava muito grande, isto é, palpável na forma de nódulo ou região endurecida da próstata.
Infelizmente, também naquela época, 50% dos casos que vinham ao consultório já apresentavam células cancerosas em outros órgãos, as chamadas metástases. Esta triste situação impossibilitava tratar o paciente de maneira a curá-lo. Hoje, no entanto, com as pessoas mais atentas às notícias de saúde, visitando mais regularmente os médicos e fazendo os exames de prevenção com regularidade, o panorama mudou radicalmente e os casos em que o tumor de próstata já está nos ossos (isto é com metástase onde a cura já não é mais possível) representam apenas 5%.
Causas
Não se sabe exatamente porquê o câncer de próstata se desenvolve. No entanto, existem estudos demonstram claramente alterações genéticas, sobretudo no cromossomo 9 e 10, que alteram a capacidade da célula de se relacionar com suas vizinhas. Por este motivo, ela continua se multiplicando desordenadamente, desestruturando a glândula e levando um grupamento de células a migrarem ou para os órgãos vizinhos ou para órgãos distantes, chamando-se este fenômeno de metástase.
Diagnóstico
O exame de PSA é a sigla de uma proteína (substância produzida pelas células) exclusivamente secretada pelas células prostáticas. O aumento desta substância no sangue leva a suspeita do aparecimento do câncer prostático, mesmo quando este ainda é insensível ao exame clínico.
No entanto, o que confunde a investigação e o diagnóstico é que a partir dos 40 anos já há evidência de crescimento benigno da próstata, podendo também provocar aumento do PSA. Infelizmente, ainda que o nome assim o designe, o antígeno prostático específico, não é assim tão específico, pois até cerca de 25% dos homens têm PSA na faixa mediana abaixo de 4 (considerado a mediana normal da população masculina após os 40 anos de idade). Cerca de 50% dos homens com PSA elevado não demonstram câncer de próstata. Tais observações explicam porquê em casos de dúvida o paciente é orientado a realizar uma biópsia que recolhe material diretamente da glândula para ser analisado por meio de microscópio.
Não se sabe ainda ao certo se os casos com elevação de PSA e biópsia negativa revelam apenas homens sem doença, mas que têm PSA acima da faixa medida da população ou se o PSA elevado com biópsia negativa reflete um tumor tão pequeno que não pôde detectado na biópsia.
Vários estudos têm demonstrado que alguns tumores de próstata podem ser tão pequenos que a primeira biópsia não é capaz de “pegá-lo”. O fato é que freqüentemente se encontra tumor de próstata nas análises de cadáveres, o que leva a consideração imediata de que talvez alguns tumores tenham um crescimento muito lento e não prejudiquem o paciente.
Tratamentos
Há várias maneiras de se tratar o câncer de próstata. A cirurgia tem despontado com uma ótima opção, pois permite em casos bem selecionados, cura em até 89% dos casos. Mas estes índices dependem do tamanho com que o câncer foi diagnosticado (isto é, qual o estádio), qual o tipo de tumor (isto é, tipo histológico) e qual o nível de PSA (isto é que tamanho estava o tumor quando foi diagnosticado).
A intervenção cirúrgica radical, com extirpação (retirada cirúrgica) da próstata, vesículas seminais, canais deferentes e gânglios circunvizinhos promovem, de maneira simplista, a retirada integral do câncer, com cura completa da doença. Infelizmente, a cura só é possível para aqueles que tenham tido diagnóstico precoce da doença.
A radioterapia (externa ou com colocação de sementes ou agulhas) também pode promover cura do câncer de próstata, mas ao que tudo indica, com índices menores dos que o providos pela cirurgia, ainda que o tamanho e o tipo do tumor influenciem diretamente nestes índices.
Prevenção
Não há ainda maneira clara e conhecida de prevenção do câncer de próstata. No entanto, estudos com medicina complementar, tais como ingestão de licopenos (presente em tomates e outras frutas vermelhas) e selênio (presente em castanhas), parecem reduzir os índices de câncer de próstata, mas tais afirmações ainda precisam de análises mais profundas.
Dr. Paulo Rodrigues - CRM 60050
Doutor em Urologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e diretor do Setor de Urologia do Hospital Beneficência Portuguesa e Hospital Santa Helena de São Paulo