
O que são
Os três principais distúrbios são trocas na fala (exemplos: coca-cola=tota-tola, barata=balata e preto=peto), alterações no ritmo e na velocidade da fala (gagueira) e alterações de voz. Ocorrem em 5% a 10% das crianças. Os meninos são de três a quatro vezes mais suscetíveis a apresentarem distúrbios da fala que as meninas.
Distúrbio articulatório ou trocas na fala
Ao aprender a falar a criança cometerá erros de pronúncia e articulação, pois só dessa maneira chegará ao modelo de fala do adulto. Além do mais, a articulação correta das palavras depende da coordenação dos órgãos fonoarticulatórios e da respiração, o que só ocorrerá com o amadurecimento do sistema. A preocupação só deve existir se:
- Aos três anos, a criança apresentar fala ininteligível;
- Após os quatro anos, ela ainda mantiver trocas que já deveriam ter sido superadas como os sons X , J, L, LH, R;
- Após os cinco ano, os erros articulatórios persistirem.
Em todos esses casos é importante levar a criança para uma avaliação fonoaudiológica (geralmente são aplicadas provas de nomeação, repetição e avaliação dos órgãos fonoarticulatórios – língua, lábios e bochechas) a fim de tratar tais distúrbios.
Disfluência (Gagueira)
É o termo utilizado para as alterações no ritmo e na velocidade da fala, entre elas, repetições, prolongamentos, bloqueios, hesitações e uso excessivo de pausas.
No processo de desenvolvimento normal as crianças passam por um período de disfluência fisiológica ou natural, pois de um lado tem muito a dizer, e do outro o seu vocabulário ainda é insuficiente e seu domínio sobre os órgãos fonoarticulatórios restrito. Esse período tende a passar normalmente, mas se esta dificuldade for muito evidenciada a gagueira poderá se transformar em patológica.
Alguns cuidados devem ser tomados:
- Nunca chame a criança de gaga;
- Preste atenção àquilo que a criança fala e não “como” fala;
Se a gagueira persistir após os cinco anos de idade, encaminhe a criança para uma avaliação fonoaudiológica (avaliação da linguagem em geral e dos órgãos fonoarticulatórios – língua, lábios e bochechas).
Disfonia infantil
Algumas crianças apresentam problemas de voz por a utilizarem de forma inadequada. Muitas vezes, elas imitam o padrão dado pelo adulto e se estas pessoas falam em forte intensidade a criança tende a fazer o mesmo, prejudicando as pregas vocais. Devido à competição sonora, elas também aumentam a intensidade de sua voz para chamar a atenção. Para evitar esse tipo de distúrbio:
- Procure falar com a criança em intensidade normal;
- Evite competição sonora (TV, rádio...) quando a criança estiver falando;
Se houver uma mudança na voz da criança e esta persistir por mais de 15 dias, encaminhe-a para um otorrinolaringologista (o tratamento com fonoaudióloga segue um protocolo que checa tonalidade, intensidade, altura vocal, tipo de voz etc.)
Tratamentos
São feitos por meio de atividades lúdicas e exercícios orofaciais.
Outras dicas
Para que a criança se desenvolva adequadamente, ultrapassando cada fase da aquisição normal de fala é importante que as pessoas que convivem com ela tome alguns cuidados:
- Não imite o falar errado da criança, nem peça para ela repetir a palavra por achá-la “bonita” ou “engraçada" - lembre-se o adulto é o modelo que ela seguirá para se corrigir e a repetição fixará o padrão incorreto;
- Quando a criança cometer um erro articulatório, dê a ela o padrão correto sem repetir o erro (exemplo: se uma criança diz “auá” para água, diga: “Você quer água?”, enfatizando o correto), porém não a corrija excessivamente.
- Não exija da criança uma produção além da esperada para a sua idade, respeite a ordem da aquisição fonêmica;
- Propicie o desenvolvimento da fala, deixando que a criança expresse oralmente o que deseja e não a atendendo imediatamente após uma solicitação gestual;
- Não use palavras no diminutivo, pois por serem semelhantes (terminam com “inho”) dificultam suas memorizações.
Maria Stella S. R. D’Angelino - CRFA 9388
Fonoaudióloga especialista em Motricidade oral e fala
Ffone: 11 2345-4237